01/06/2015

Para que serve um "Trading System"?

A aula 7 do Curso Virtual apresentou um sistema mecânico ("trading system") para o gráfico de 10 minutos do minicontrato Ibovespa. O resultado do "backtest" apresentou um lucro expressivo e consistente, uma evidência da eficácia do método Ichimoku. Hoje, aproximadamente um ano após a publicação da aula 7, apresento uma nova simulação, desta vez com o gráfico de 2 minutos. Não houve alteração significativa nas regras de entrada e saída das operações (muito simples); apenas um pequeno ajuste na regra de entrada. A regra de entrada procura captar o padrão de "momentum" através do posicionamento das médias Tenka e Kijun (cruzamento e inclinação). A novidade foi a inclusão de um padrão que relaciona o preço (posicionamento e tamanho do candle) com as médias Tenkan e Kijun. A regra de saída (cruzamento Preço x Kijun) e o "Stop" (0,5%) foram preservados. Veja na figura ao lado o detalhamento da regra de entrada e saída da Compra; a regra de entrada e saída da Venda é exatamente simétrica à da Compra.
O resultado do novo "backtest" evidencia os pontos positivos e negativos da aplicação do método Ichimoku para as operações de "daytrade". A estratégia básica foi validada novamente, mas é preciso fazer ajustes (método discricionário) para viabilizar a sua aplicação prática.

A simulação começou com um Capital Inicial de R$ 20.0000,00; entretanto o montante aplicado em cada "daytrade" sempre foi de apenas 5% do capital (definido em função de um perfil de risco), ou seja, a aplicação inicial foi de R$ 1.000,00 e correspondeu a uma operação com 4 minicontratos. À medida que o capital aumentou ou diminuiu, o sistema ajustou automaticamente o tamanho da posição (número de contratos negociados). A simulação começou no pregão de 18/08/2014 e terminou em 28/05/2015 (8 contratos) com Lucro Líquido de R$ 14.761,60 e um retorno de 73,81% (103,91% ao ano). Foram realizadas 649 operações de "daytrade" (média de 3 operações por pregão). O percentual de operações ganhadoras foi de 39,51%, ou seja, a cada 10 operações, 6 foram perdedoras; "infelizmente" esta é uma característica dos sistemas seguidores de tendência. Entretanto a estratégia é vencedora porque o ganho médio é muito superior à perda média, como poderemos constatar na próxima tabela. Observe que a curva da evolução do capital (cor verde) apesar de positiva durante toda a simulação não é consistente, pois há muitas perdas nos períodos de mercado sem tendência.

O ganho médio por operação foi de +0,48% contra uma perda média de -0,23%, ou seja, o ganho médio foi o dobro da perda média. Esta é apenas uma informação estatística que resulta em lucro após um grande número de operações. Na prática é importante procurar obter ganhos bem maiores que a média e ao mesmo tempo limitar o tamanho das perdas que ocorrem com maior frequência que os ganhos. Esta estratégia resulta em ganhos de até 6 vezes o "ganho médio" como podemos observar na tabela ao lado (+3,00%). Por outro lado a maior perda é limitada ao "StopLoss" de -0,5% (entre 250 e 300 pontos); pode parecer um limite alto, mas lembre que o valor do "Stop" deve considerar as oscilações normais que ocorrem durante uma tendência. As operações ganhadoras tem uma duração média de 34 candles (68 minutos - pouco mais de uma hora), enquanto as perdedoras tem a duração média de 10 candles (20 minutos); uma evidência da estratégia seguidora de tendência. Observe também que o tempo fora do mercado (38.722 candles) é 3 vezes maior que o tempo posicionado (13.117 candles); o sistema só fica posicionado quando há evidência de uma tendência, o que ocorre em média apenas 1/3 do período de cada pregão.


A regra de saída (Preço x Kijun) é simples e teoricamente justificada; afinal a média Kijun é uma importante referência de suporte ou resistência, o seu rompimento é uma forte sinalização de final da tendência. Entretanto o item "Exit Efficiency" (tabela ao lado) mostra que os ganhos obtidos representam apenas 13,7% do ganho potencial; é uma indicação de um nível expressivo de "devolução dos lucros" ou mesmo a inversão de situações de lucro para perda. Por outro lado esta regra também viabiliza os lucros expressivos, muito além da média. Não é fácil substituir esta regra; por exemplo, a utilização do rompimento da média Tenkan como regra de saída, piora sobremaneira o resultado. A solução deve ser desenvolvida pelo método discricionário. O "Stop" de 0,5% parece adequado em termos da frequência em que é acionado, apenas em 5,9% das operações; entretanto a prática do "Stop Móvel" pode melhorar a "eficiência da saída".Outra característica de um sistema seguidor de tendência é o número elevado de operações consecutivas com perda (máximo de 10); a pressão psicológica é enorme, mesmo que o nível das perdas seja pequeno.

A figura ao lado mostra uma pequena parte (as operações mais recentes) de um dos vários relatórios fornecido pelo software "Trading Solutions" (observe que foi aplicada uma corretagem de R$ 1,00 por contrato). As informações estatísticas podem ser exportadas para o Excel, onde é possível fazer outros cálculos de uma forma ainda mais flexível. Enfim, o computador pode e deve ser utilizado como um instrumento de auxílio ao trader; não apenas para operar, mas principalmente para ajudar a desenvolver e testar as suas estratégias. Sou adepto da ideia de uma integração homem-máquina; a máquina calcula, o homem pensa. Entretanto como já havia comentado na aula 8 do Curso Virtual, as operações simuladas e os seus resultados refletem apenas parte da realidade. Devido a questões operacionais, é impossível reproduzir na prática o mesmo resultado do "backtest". Entretanto quando um sistema utiliza regras simples de entrada e saída, é possível obter uma performance muito próxima da simulação; as diferenças operacionais, a favor e contra, acabam se compensando ao longo do tempo. Difícil mesmo é seguir um sistema que apresenta uma média de operações ganhadoras abaixo de 50%, e que pode resultar em uma sequência de 10 operações consecutivas de perda. Para mim, a simulação tem o mérito de testar idéias e estratégias, que podem ser validadas através da estatística. A consequência natural é a aquisição de maior conhecimento e confiança no seu método e também a oportunidade de uma aplicação mais flexível (e intuitiva) no método discricionário.

Declaração do Analista de Valores Mobiliários
Nos termos do art. 17 da ICVM 483, Eduardo Matsura, responsável pela elaboração deste relatório, declara que as recomendações contidas neste refletem exclusivamente suas opiniões pessoais sobre a companhia e seus valores mobiliários e foram elaboradas de forma independente e autônomaAviso As indicações de compra ou venda são o resultado de uma avaliação subjetiva. O investidor deve tomar as suas próprias decisões de acordo com o seu perfil de risco e assumir toda a responsabilidade.

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